Skinny Love

Houve o dia em que ouviu a música e chorou sem saber porquê

cantou as palavras com gosto ruim na boca, mas não sabia de quê

terminou a canção com o coração na mão e não o porquê.

Só sabia que tinha a emoção, e uma solidão,

que lhe espantavam a alegria e a motivação. 

O bom nunca é fácil, o fácil nunca é bom.”
Marina and the Diamonds
Enquanto as pessoas se apertam dentro do ônibus e fecham a cara, comprimindo a ansiedade e a fome, o mundo vai morrendo aos poucos. A lavadeira continua a chorar no canto do rio, no canto do quarto, no canto do céu, no canto. O mendigo está na rua suplicando às plantas um pouco menos de loucura e ao sol um pouco menos de culpa pela pobreza. O cobrador me olha como se pedisse socorro por causa do suor e dos filhos que o esqueceram na vida, como se ela o quisesse. Quem dera! Quem dera que as estrelas caíssem aqui no abismo para me fazer companhia, que me olhassem e resgatassem-me de toda angústia, que cantassem a felicidade certa. Quem dera o amor fosse mais sentido e menos gritado, como numa dor de parto, onde se grita e descansa. Quem dera o amor fosse uma cura ou um remédio ou um poema aos meus ouvidos. As pessoas estão tão abaladas que ecoam de seus rostos a incapacidade de viver. E o amor não nos chegou. Continuarei não entendendo o cobrador, o mendigo, o mundo…”
Igor Pires. (via delator)
Uma música.
Uma brisa.
Um perfume.
Um 04h04.
Uma frase.
Um filme.
E de repente um você.”
Escritos Sensibilizados

caosdoacaso:

O infinito coube bem em nós.

Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante.”
Carlos Drummond de Andrade (via sufferian)
Inspiração

Faz tempo que não escrevo.

Meus dedos enferrujados e minha mente vaga não me criam esperança para textos.

Acho que estou apenas desanimada, 

ou mesmo cansada para escrever.

Mas termino esse verso sem bem me entender e sem bem satisfazer.

Eu não consigo entender minha fraqueza pelos seus meios sorrisos.”
Manu Gavassi
Quando toca uma música bonita, minha ironia assovia mais alto. Um assovio sem melodia. Um assovio mecânico mas cuidadoso, como tomar banho ou colocar meias. Outro dia tentei chorar. Outro dia tentei abraçar meu travesseiro. Não acontece nada. Eu não consigo sofrer porque sofrer seria menos do que isso que sinto. Tentei falar. Convidei uma amiga pra jantar e tentei falar. Fiquei rouca, enjoada, até que a voz foi embora. Tentei aceitar o abraço da minha amiga, mas minha mão não conseguiu tocar nas costas dela. Não consigo ficar triste porque ficar triste é menos do que eu estou. Não consigo aceitar nenhum tipo de amor porque nenhum tipo de amor me parece do tamanho do buraco que eu me tornei. Se alguém me abraçar ou me der as mãos, vai cair solitário do outro lado de mim.”
Tati Bernardi. (via delator)