Escritos Sensibilizados

A minha alma nem me lembro mais.
Em que esquina se perdeu,
ou em que mundo se enfiou.

Soneto de separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Assim, sem rima, sem batida, sem corrida
Me criei, desfiz, refiz e reinventei
O que adianta ter coração se não sente?
sem rima, sem batida, sem corrida.
Sem borboletas no estômago.
Segui Renato Russo e me desfiz em 1000 pedaços pra você
Mas, o que adianta um coração já partido se ninguém tem cola?
sem rima, sem batida, sem corrida.
Parei. Cansei. Respirei.
Comprei cola e me juntei.
Eu guardei todos os meus verões pra você

assim
aos olhos
do papel
de cor
te sei azul
cor de céu.

v.c.

Pra um bom escritor
meia tristeza já é arte